Assistente Social da Secretaria de Saúde, Isabela Borges, alerta para aumento de casos de aids na região

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A presidente do Conselho Municipal de Saúde e assistente social da Secretaria de Saúde, coordenadora do Programa DSTs – Aids de Capinópolis, Isabela Borges (foto), foi a entrevistada do Programa Correio da Região Versão Rádio de quarta-feira, dia 07, quando ela falou sobre o trabalho desenvolvido pelo Conselho Municipal de Saúde, do qual ela é a atual presidente, e sobre as DSTs – Doenças Sexualmente Transmissíveis, destacando a preocupação da secretaria pelo aumento de casos de AIDs – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida na região, especialmente em Ituiutaba, lembrando a proximidade de Capinópolis, onde é comum os jovens de ambas as cidades participarem juntos de festas e entretenimento.

“Houve uma aumento do número de casos de aids em Ituiutaba. A questão das doenças, como a sífilis e a HIV, onde teve um aumento de quase 40%. E essa questão de ter parceiros intermunicipais, normalmente você ter um namorado de Capinópolis, ou você ter um namorado em Ituiutaba e em relação sem preservativo, você corre um grande risco em contrair a doença. Aqui em Capinópolis o HIV não teve aumento, as hepatites virais, também, com a Campanha Julho Amarelo, mostrou que realmente não teve aumento, mas as pessoas que fazem os exames são pessoas que já estão preocupadas com a saúde delas e normalmente já fazem exames com uma certa frequência. A nossa preocupação é com aquelas pessoas que estão tendo relações sem preservativos e elas não fazem exames, confiando ainda muito em questão de sintomas. Essas doenças não têm sintomas claros. Aqui em Capinópolis a gente está tendo um aumento muito grande de sífilis, o que a gente já estava esperando, porque nos dois últimos anos houve um aumento na região.”

Pergunta: Quem vê cara, não vê Aids, não é?

Isabela: Com certeza. Acho que não vê nenhuma das doenças sexualmente transmissíveis, porque hoje os medicamentos estão dando uma qualidade de vida muito grande aos pacientes, e as pessoas acomodaram, pois não ouviram mais falar que alguém morreu com Aids ou com outra doença e acharam que essas doenças não estão existindo mais, só que infelizmente não é desse jeito que acontece, porque, por exemplo, as hepatites podem demorar até 40 anos para se manifestarem e normalmente quando manifestam, ou é em forma de um câncer de fígado ou de uma cirrose hepática. O vírus do HIV hoje mudou muito. Eu estou tendo pacientes que normalmente demoram 18 anos para apresentar um sintoma e o normalmente o sintoma já é mais grave, chegando até ocasionar o óbito do paciente, e hoje não tem pacientes que realmente morrem com isso. Eu tive um paciente que não foi por diagnóstico tardio, que fazia tratamento quando faleceu, ele estava com 92 anos, então ele não morrer por causa do HIV e sim pelas doenças da idade. Agora, a sífilis aparece em três fases, as quais não são fáceis de ser diagnosticadas, inclusive pelo médico. A primeira fase seria a questão da ferida, que muitas vezes as pessoas confundem com uma afta ou com um cabelo inflamado, que normalmente vai sumir, tomando ou não remédio e meses depois começam a aparecer manchas pelo corpo, as quais estão sendo confundidas com alergia. Por isso que a gente não está conseguindo controlar a sífilis.

Pergunta: Às vezes a gente fala nesse assunto e as pessoas falam: Ah, mas isso é homofobia. Mas nós temos informações de grande número de novos casos de Aids junto a homossexuais. Gente, não estamos tratando de homofobia, não estamos discriminando ninguém. Tenho grandes amigos que são homossexuais, são pessoas que eu prezo e são companheiros, porém, é importante ouvir o que você tem a dizer sobre esse assunto, Isabela.

Isabela: O HIV tem uma mudança de tempo em tempo. Tem hora que é mais comum em adolescentes, tem hora que é mais comum em jovens e tem hora que é mais comum em idosos, e a gente teve um aumento muito grande na população masculina e, destes, muitos mantêm relações com outros homens. Muitos são bissexuais e mantêm relações com outros homens. Então a gente vê que de um ano para cá começou a ter essa mudança novamente do HIV. A questão é a seguinte: ter relação sem camisinha, independente da forma com quem você tem a relação, você tem risco de estar pegando. E as pessoas ainda, pelo fato de conhecerem umas às outras há muito tempo, elas ainda confiam na aparência da pessoa e esse é o maior erro que o ser humano pode cometer. Eu falo que o HIV não é uma doença que veio para punir, ela acontece pela pessoa amar demais e confiar na outra pessoa e não ter relação com preservativo. Infelizmente a gente tem que gostar mais da gente mesmo, para não correr esse risco de ter relação sem preservativo, enquanto isso não acontece a gente vai estar se colocando em posição de risco e com isso a gente tem a tendência de qualquer um contrair doenças, até mesmo aqueles que não têm relação sexual, porque existem casos de hepatites que foram contraídas, por culpa de elementos como agulhas, seringas, lâminas de barbear ou alicates de unha, onde a pessoa não teve relação sexual, mas contraiu a doença dessa forma e ela vai transmitir pela relação sem preservativo.

Pergunta: Como a pessoa que tem dúvida, que às vezes arrumou um namorado ou namorada lá em Ituiutaba, em Capinópolis ou mesmo em outra cidade, deve proceder para fazer o teste rápido. O teste é sigiloso?

Isabela: Extremamente sigiloso. A gente treinou as nossas cidades da região, todos os postos de saúde da região estão fazendo o mesmo teste, extremamente rigoroso e controlado pelo Ministério da Saúde na questão da qualidade. Normalmente esses testes dão alterações e vão ser feitos exames confirmatórios para realmente ter certeza absoluta. Quem faz o teste é só o enfermeiro, tem que ser um profissional do curso superior. As fichas e as perguntas que são feitas não ficam no prontuário da família, pois são devolvidos para mim, na Secretaria de Saúde e com isso eu faço virar dados. A gente se preocupa muito com essa questão de sigilo, porque o profissional pode ser punido, inclusive ele pode até perder o diploma por questão de quebra de sigilo, então nenhum profissional quer correr esse risco.

Foto: Valdair Bernardeli

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