Equipes de Vacinas dos PSFs fazem treinamento

 

A coordenadora da vigilância epidemiológica da DRS Ituiutaba, Valdymary Santos, esteve em Capinópolis desde segunda-feira, dia 29, ministrando para as equipes das salas de vacinas dos PSFs uma atualização falando sobre o universo que é a vacinação, tendo como princípio as vacinas do calendário vacinal e passando também pela correta conservação das vacinas. Em síntese, trazendo novas informações às equipes e respondendo dúvidas.

O coordenador da PSFs do município, enfermeiro Celismar Vieira, destacou a importância do treinamento, visando ofertar um serviço de melhor qualidade para a população.

“Nós estamos sempre buscando formas de aprimorar o atendimento e nada melhor que um treinamento de nossas equipes”, disse Celismar.

Nossa reportagem acompanhou o treinamento e conversou com Valdymary, que discorreu sobre o treinamento e sobre a importância de toda a população estar protegida com as vacinas.

“Nós estamos fazendo uma atualização em sala de vacina, ela é um derivado na realidade da capacitação em sala de vacina, que é de 40 horas e a gente está fazendo a atualização, fazendo em 16 horas, tentando falar um pouco sobre esse universo, que é a vacinação, pegando como princípio as vacinas do calendário vacinal, seja da criança, do adolescente, do adulto, e passando também pela questão da rede de frio, como seria essa conservação, arrumação de caixa, como seria esse trabalho diário das salas de vacina, tentando dar ao município esse conhecimento prévio e também fazendo atualização para aqueles que já trabalham na sala de vacina, vai ser um momento da gente estar discutindo, tirando dúvidas das meninas, entendendo que isso é um processo também de integração regional município”.

Pergunta: Pelo que você está percebendo, o aproveitamento está sendo bom?

Valdymary: Sim. O município organizou de uma forma que todas as enfermeiras da Estratégia Saúde da Família, bem como as técnicas de sala de vacina, além das acadêmicas, do técnico de enfermagem, pudessem participar, então quanto mais pessoas tendo conhecimento sobre a importância da vacinação, melhor para o andamento do próprio município.

Pergunta: Ainda relacionado a vacinas, a gente tem acompanhado na grande mídia, a volta do sarampo e alguns casos de poliomielite em algumas regiões do mundo. Como você vê essas pessoas que usam fake news, até autoridades, como um médico que falou que a vacina tríplice provocava autismo, e com isso muitas pessoas ficaram com medo, e como resultado, por exemplo, em São Paulo mais de 200 casos de sarampo agora em pleno século 21?

Valdymary: Na realidade, a vacina é ofertada à população. Obviamente, no momento que a gente oferta, a gente quer proteger o maior número de crianças, de adolescentes, de adulto jovem. Dentro desse contexto, existem aqueles que às vezes por desconhecimento ou às vezes por vivenciar algo, de repente esse médico teve algum paciente que ele pode acompanhar, mas que não foi devidamente investigado, para que a gente pudesse fazer um nexo entre a vacina e o autismo nesse caso, porque as literaturas, sejam elas nacionais ou internacionais, não nos referem isso. Obviamente, nenhuma vacina tem proteção 100% e a gente também tem que levar em consideração o vacinado, mas sem sombra de dúvidas, os fake news trazem não só para a população um atraso na informação, levando com que essa população, ao invés de se prevenir, fique mais suscetível, porque a partir do momento que você não vacina, você está suscetível. Se eu não tive a doença previamente, nós, que tínhamos o certificado internacional de livres do sarampo e agora o perdemos, não é? Então, se lá atrás as nossas avós tiveram sarampo, elas estão protegidas para o resto da vida, mas se essas outras pessoas não tiveram contato com o sarampo, porque não teve vacina, qual é o risco que elas correm? De ter contato com o vírus selvagem e aí vir a adoecer, então os fake news para nós, que estamos na imunização, na porta de entrada do Sistema Único de Saúde, com as pessoas do município fazendo o seu papel, tentando prevenir, estão nos trazendo muitos problemas, porque as pessoas não veem, são doenças que existiam há muitas décadas, os médicos novos não têm o conhecimento, não que eles não queiram, eles aprenderam na faculdade, mas eles não vivenciaram uma clínica de internação de sarampo da década de 80, e com isso dá um parecer como se a doença não existisse. Na hora que acontece esse surto como está acontecendo no Estado de São Paulo é a onde a gente vê a importância da vacina, porque só ela para interromper a cadeia de transmissão, então a importância da vacinação é isso: fazer o controle desse surto, interromper a cadeia de transmissão, proteger essas pessoas para que elas não venham a adoecer, porque depois que adoecem elas vão ter a imunidade permanente, sem sombra de dúvida, mas a gente precisa entender que o sarampo é uma doença grave, na nossa criança menor de um ano, ela pode trazer óbito, então precisamos raciocinar isso, a gente não pode ver só o que está nos fake news, vamos para a literatura, vamos ver onde está isso, aonde tem essa evidência científica que nos fala isso, porque ser contra, vamos procurar, vamos buscar, não só a área acadêmica, mas a população como um todo, porque o histórico, toda a academia está bem descrito, então vamos procurar saber para podermos prevenir e tornar nossas crianças livres de doenças, porque depois que elas adoecem vamos ter um custo, o município vai ter um custo, existe o custo da família, porque quando tem óbito, qual é o dinheiro que paga uma vida? Não existe preço!

Pergunta: A gente tem acompanhado em Capinópolis, em toda a região e em todo o Brasil uma grande relutância dos idosos em tomar a vacina contra a gripe influenza. Mais uma vez o fake news: “O governo mandou para matar os idosos para parar de pagar a aposentadoria”. Porém, o trabalho da secretaria de Saúde é fundamental, e o trabalho deles dificulta demais, porque a gente vê e muitos não querem mesmo tomar a vacina. O que você tem a dizer a essas pessoas?

Valdymary: Também é outro desconhecimento. A vacina Influenza é inativada, fracionada, ela não é feita da célula inteira, são partículas dessa célula, de um vírus que foi inativado, ou seja, um vírus que é morto e que não trás, porque ele não se reorganiza no sentido de causar a doença no indivíduo, porém, se aquele indivíduo já teve contato com o vírus da influenza e no momento que ele vacinado, a vacina por ser um antígeno, ele vai produzir naquele organismo anticorpos e aí sim, ele vai dar a resposta, então o sistema imunológico vai ser ativado, porque recebeu vacina, e vai dar resposta, vai ativar esse sistema imunológico para dar resposta contra o agente agressor. Se esse agente agressor já está dentro do organismo, então isso vai aumentar muitas vezes essa união, vamos dizer assim, então por isso ter essa sensação de que: Ah, mas eu fui só tomar a vacina e eu gripei! Não! Você teve contato com o vírus previamente, e no momento que você recebeu a vacina, ela foi produzir anticorpos, ativou o seu sistema imunológico, que já estava ativado pela doença e aí esse boom maior, essa sensação maior, porque vacinas inativadas não têm como produzir doença, elas são feitas de vírus, que a gente fala usualmente de mortos, é diferente de uma vacina atenuada, que poderia se reorganizar, então, isso é falta de informação. Se o governo fez vacina para matar idoso, qual é a justificativa de termos uma parcela da população com 80 anos, com 90 anos, com 100 anos? Se a vacina é para matar, essas pessoas que foram vacinadas desde 1999, que foi o primeiro ano da vacina, essas pessoas já estariam mortas há muito tempo, então nós temos pessoas que estão na ativa, que participam da vacina desde o primeiro momento que ela foi ofertada à população e estão saudáveis. Aí, olha que coisa mais terrível: O governo iria matar gestante, iria matar criança, porque é a mesma vacina, não existe vacina diferente para esse grupo, então mais uma vez a população tem que buscar informações verdadeiras, científicas. Procurar lá no Portal do DATASUS. Vamos ver qual é a população de Capinópolis acima de 70 anos. Vamos ver os meus colegas que já foram vacinados, o que eles tiveram, que reação que eles tiveram. Eles estão vivos? Mais do que nunca isso comprova que essa história de que o governo fez a vacina para matar, é absurda, não tem como, pois a nossa população de idoso só cresce.

Pergunta: O meu jornal tem 34 anos. Quando ele começou, a saúde era totalmente diferente. Um dia um secretário da Saúde começou a falar em médico da família e em equipe de PSF. Hoje a gente vê uma realidade totalmente diferente da saúde. Você consegue imaginar hoje a saúde sem o Programa Saúde da Família?

Valdymary: De forma alguma. Primeiro veio o PSF, depois o governo entendeu que aquilo ali não era um programa, era uma estratégia que teria que ficar, então se tornou Estratégia de Saúde da Família, ela é a ordenadora do cuidado, ela é a ordenadora da atenção primária, é dela que começa tudo, porque ela é a porta de entrada. A partir do momento que um diabético, que uma gestante, que um idoso, que uma criança, um recém nato nasce, ela está ali ofertando através do seu médico, através do seu enfermeiro, do seu técnico de enfermagem, do seu próprio ACS, esse cuidado integrado ali, naquela casa. Obviamente, eles não são profissionais, eu sempre falo isso, o ACS não é garoto de recado, ele é uma pessoa, um profissional, que está ali para fazer o elo entre a comunidade e a sua equipe. Falar quem está doente para que se possa programar as visitas, mas hoje a gente sabe, entende perfeitamente e os números também nos mostram isso, que quando a gente tem uma atenção primária efetiva, com resolutividade de 85%, o que vai para alta e média complexidade é em torno de 15%, é aquilo que a gente de fato não consegue resolver. Acidente de carro a gente não vai conseguir resolver, transplante a gente não vai conseguir resolver, mas vamos sim trabalhar essa pessoa. Se ele é um hipertenso, vamos trabalhar essa hipertensão para que ele não se torne um renal, para que ele não venha precisar de hemodiálise, então essa é a função da Estratégia de Saúde da Família. Ele é o primário, ele é a primeira que chega, mas a partir dele ele vai determinar, ele vai ordenar essa rede: ela precisa de uma média complexidade, ela precisa de uma alta complexidade. Então ela está ordenando essa rede, fazendo com que esse SUS seja permeável e chegue a todos nós.

Foto: Valdair Bernardeli

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