HISTÓRICO DA PRAÇA JOÃO MOREIRA DE SOUZA

 

A Praça João Moreira de Souza foi construída na Quadra de número 54 entre as Ruas 102 e 104 e as Avenidas 109 e 111 no terreno pertencente ao sr. João Moreira de Souza, que foi o seu doador. O  bairro é o Bela Vista, mas muitos a identificam como estando no Centro da cidade. É uma área urbana com intensa movimentação. Possui em seu entorno casas de um pavimento, ruas asfaltadas,  bares e restaurantes. É um local que, apesar da movimentação, é calmo e pacato à noite, fora os dias de festa que acontecem na Praça.

A Praça foi construída no ano de 1967.  Foi construída pela Prefeitura Municipal de Capinópolis, projetada pelo arquiteto José Abílio Belo Pereira, com recursos próprios do município e recursos do Governo do Estado, na época representado pelo IEF, Instituto Estadual de Fazenda, que tinha como diretor o sr Flamarion Ferreira. O Prefeito de Capinópolis na época era o sr João Batista Ferreira. Os trabalhadores da construção foram funcionários da prefeitura, sendo supervisionados pelo arquiteto José Abílio.

O sr. João Moreira de Souza, cuja praça recebeu o seu nome, era residente em Capinópolis, mas era oriundo de São Paulo. Nasceu em 1889. Casou-se em Capinópolis com Sebastiana Maximiano, irmã do fundador da cidade, herdando uma grande gleba de terra, a qual conservou e ampliou. Dizem os seus contemporâneos, que era homem de inteligência brilhante, que apesar do pouco estudo, saía-se bem em qualquer situação. Vestia-se muito bem, pois era vaidoso por natureza, dinâmico, alegre e um líder nato. Gostava muito de viajar, pois negociava gado. A seu próprio, modo estava sempre de bem com a vida, pronto para ajudar um e outro. Político, sem jamais ter concorrido a nenhum cargo público. Desfrutava da amizade de diversos parlamentares na capital, influências, que contribuíram na emancipação de Capinópolis. Era firme na palavra. Palavra empenhada tinha peso e valor.

Aos 64 anos, no apogeu de sua vida, ainda com muita disposição para lutar pela cidade de Capinópolis, faleceu a caminho da cidade de Uberlândia no dia 28 de dezembro de 1953. Na lápide de seu túmulo ainda se lê: “faleceu tragicamente lutando pela emancipação de Capinópolis”.

 João Moreira de Souza doou o terreno na quadra 54  aproximadamente no ano de 1950. Ele veio a falecer em 1953 e não viu o seu sonho realizado, pois queria ver uma praça construída no terreno para o lazer da população. Até o ano de 1967 o terreno era baldio, sem nada no lugar. Em 1967 o então prefeito João Batista Ferreira, percebendo que o povo necessitava de um local que trouxesse, além da harmonia e beleza para a cidade, um ponto de descanso, onde a conversa entre as pessoas pudesse ser sem pressa, tranqüila, sossegadamente, assentadas sob  árvores frondosas, ao som da tagarelice dos pássaros, onde crianças pudessem brincar, entoar cantigas de roda, sem nenhuma preocupação com trânsito. Onde namorados pudessem estar juntos, conversar, trocar juras de amor, ao som da música e do ruído gostoso da água sendo jorrada da fonte luminosa de formas e cores diferentes. Onde as moças casadoiras, pudessem fazer o footing. Onde momentos cívicos pudessem acontecer. 

Já existindo o espaço, surgiu o projeto e o mesmo foi executado.

A Praça foi construída para ser exclusivamente de uso público para servir a toda a população da cidade de Capinópolis.

O prefeito João Batista Ferreira já lembrava de que o terreno fora doado para ser uma praça e que seu doador, homem importante na história da cidade havia morrido sem ver o seu projeto executado. Com todo ímpeto arregaçou as mangas e partiu para a obra, valendo lembrar que o município de Capinópolis era recém emancipado e não tinha nenhuma condição financeira de realizar uma obra de grande porte como esta. João Batista Ferreira convidou o arquiteto Dr José Abílio para projetar uma praça com uma estrutura agradável para toda a comunidade capinopolense. José Abílio trabalhou com muita eficiência e elaborou um projeto arrojado para a época. A Praça, sendo em terreno em declive, deu inspiração para que José Abílio fizesse vários níveis, lembrando as curvas de níveis usadas nos terrenos rurais para o favorecimento da lavoura, pois Capinópolis é um município com fortes tradições agrícolas. A praça chama a atenção para os diferentes níveis existentes.

O prefeito João Batista Ferreira foi ágil em conseguir os recursos necessários, entrando em contato com o Dr. Flamarion Ferreira Diretor do Instituto Estadual de Fazenda, o sensibilizou sobre a importância da obra, que não somente levaria o lazer e entretenimento às pessoas, mas também levaria o desenvolvimento urbanístico com grandes vantagens para a população com galerias pluviais e rede de escoamento de esgoto.

A empreitada do prefeito de Capinópolis foi bastante feliz, pois conseguindo os recursos junto ao Órgão Federal e, com grande esforço e economia, juntou recursos do município para o início das obras.  No mês de março de 1967 a praça começava a ser construída e o sonho do doador começava a se realizar. 

As máquinas começavam a terraplanagem do terreno sob a vigilância e orientação de José Abílio, que já coordenava os trabalhadores para a construção das curvas de níveis.

Foi projetado um belíssimo chafariz que foi sendo construído com concreto. O material para a obra veio da cidade de Ituiutaba e Uberlândia. Em poucos meses a praça era desenhada e formava-se à vista de toda a população. José Abílio teve a feliz projeção de se plantar nos jardins que se iam formando espécies da flora de nossa região, construindo dessa maneira um memorial das nossas matas que são típicas do cerrado. Foram plantados diversos bacuris, Gameleiras, Ipê-roxo, Jucá e árvores ornamentais como os Flamboyant’s. Foi um presente para a cidade, pois os jardins da praça logo se mostravam um grande atrativo para toda a população, que sofre com o clima quente e seco da cidade. Esse projeto fez com que a cidade fosse agraciada com um local cheio de árvores frondosas e copadas, que oferecessem à população,  espaços com diversas sombras para o descanso e o lazer.

O chafariz foi outro presente. Quando as águas pululavam as pessoas de todas as idades se alegravam com a atração que tornava o local ideal para passeios em família e em casais de namorados. A cidade realmente ganhou no ano de 1967 um belíssimo presente. A memória do doador João Moreira de Souza foi resgatada. José Abílio e o prefeito João Batista Ferreira fizeram questão de homenageá-lo com um busto de bronze feito na cidade de Uberlândia. Foi o modo encontrado para o município de Capinópolis agradecer àquele que foi o idealizador da Praça. Merecidamente, também, o prefeito João Batista Ferreira ganhou um busto por sua coragem e disposição em realizar uma obra tão grande e cara num município recém emancipado,  onde os recursos são parcos. Foi o agradecimento da população de Capinópolis ao prefeito que soube realizar o desejo do idealizador da Praça. 

Foi construído um coreto de madeira na praça no nível superior onde as pessoas pudessem descontrair ali de cima, olhando as pessoas que passeavam em baixo, ou seja, no nível inferior.

O arquiteto e ex-prefeito de Ituiutaba Costa Melo defende a tese que assim como outras praças da região a praça João Moreira de Souza, possui bancos contínuos, por causa de uma afeição ao comunismo, pois sendo contínuo os bancos as pessoas vão se sentar umas perto das outras sem separação. O banco torna-se mais comunitário, daí serem chamados de bancos comunistas. Nada disso é comprovado, mas fica aqui registrada a opinião de quem construiu, também, várias praças.

O chafariz foi de uma construção bastante arrojada para a época. Foram colocados ali vários vergalhões na estrutura para dar o suporte e a resistência necessária.

A praça foi concluída em dezembro de 1967 com apresentação de bandas de música da cidade de Ituiutaba, com a presença de autoridades civis, religiosas e militares. O evento foi conduzido pelo locutor Geuide Abdulmassi, da cidade de Ituiutaba tendo entrevistado várias personagens, inclusive, o arquiteto projetista, Dr José Abílio Belo Pereira.

Também uma torre de metal com uma televisão foi instalada para a alegria da população que não tinha total acesso aos meios de comunicação. Somente os mais abastados tinham condições de comprar um aparelho televisivo. Para assistir a televisão na Praça João Moreira de Souza concorriam famílias inteiras que se assentavam nos bancos para ver os programas da época. A movimentação era mais intensa à noite, quando os pais chegavam do serviço e quando os jovens saíam ao frescor da noite.

Hoje a praça continua sendo um memorial da cidade, por isso o Conselho do Patrimônio Cultural da cidade de Capinópolis aprovou o seu tombamento para que ela fosse preservada e protegida. 

Não há mais a freqüência das águas no chafariz devido à falta d’água e ao racionamento. A televisão na praça, também não encanta mais como antigamente, pois hoje praticamente 100% da população de Capinópolis possui um aparelho de televisão, mas nem por isso a praça deixa de encantar e de embelezar a cidade. Hoje em dia é palco de diversas atividades cívicas e de lazer como o carnaval e o reveillon.  É um local agradável para se comemorar datas importantes. Sua arquitetura foi bem planejada para servir a toda população que estava carente de espaço para o lazer e a cultura. 

Agora com o tombamento medidas de proteção serão mais rigorosas e a população poderá usufruir deste bem cultural com mais segurança.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

Histórico de Capinópolis – APOSTILA SEMEC – 2001

 

 

ENTREVISTAS

 

Maria Helena Ferreira Fellipe

 

Dr. Paulo Rocha

 

Fotos:

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